Para preparar o caderno de campo digital, organize três decisões: que informação recolher no campo, como guardá-la de forma estruturada e como entregá-la quando solicitada. Escolha o circuito antes de mudar o programa. Esta página explica as regras confirmadas e propõe uma sequência de trabalho para a próxima campanha.
Conteúdo, primeira anotação e conversão
O Regulamento de Execução (UE) 2023/564 fixa a sua aplicação em 1 de janeiro de 2026. O artigo 2.º estabelece conservação eletrónica em formato legível por máquina e o artigo 3.º determina o registo de cada utilização sem demora indevida.
Trate a primeira anotação como parte da execução do trabalho. Defina quem recolhe os dados e onde coloca o parte para revisão. Evite criar uma rotina de escritório em que a pessoa responsável pelo tratamento perde o contacto com aquilo que precisa de esclarecer. Se a introdução for feita por outra pessoa, deixe-lhe uma referência inequívoca do aplicador e do local.
A regra geral de conversão do artigo 3.º é de 30 dias a contar da utilização quando o registo não foi inicialmente criado no formato eletrónico prescrito. A primeira anotação e a transferência são, assim, etapas distintas no texto europeu.
Na agenda interna, atribua a cada parte uma tarefa de conferência e outra de transferência, quando necessária. Identifique a data real da aplicação e mantenha-a reconhecível no registo final. Não utilize a data de receção do documento para substituir a data do tratamento. Ao concluir uma transferência, confronte a linha guardada com o documento que recebeu.
O que a orientação portuguesa permite preparar
A página DGAV de uso sustentável aponta o início de 2027 para a manutenção em formato eletrónico e legível por máquina e disponibiliza modelos de registo. A entidade declara expressamente que o seu ficheiro Excel satisfaz o requisito de formato eletrónico e legível por máquina.
Comece por analisar as colunas do modelo relativo ao seu tipo de utilização. Para a aplicação numa superfície, a DGAV disponibiliza um ficheiro que inclui número do aplicador, localização e data com hora inicial quando aplicável.
Use essas colunas para preparar uma folha de correspondência com o seu programa. Escreva o nome do campo de origem, o significado, a unidade e o destino. Dê especial atenção a designações genéricas como quantidade, área ou código. Separe identificação do produto, referência da parcela e identificação do aplicador. Faça a correspondência antes de importar uma campanha completa.
Um ficheiro de trabalho com unidades reconhecíveis
| Elemento a rever | Pergunta de preparação |
|---|---|
| Produto | O nome comercial corresponde à autorização identificada? |
| Localização | A referência permite reencontrar o local tratado? |
| Dose | A unidade está escrita e corresponde ao tipo de utilização? |
| Data | É a data da aplicação efetivamente realizada? |
| Aplicador | A pessoa que executou a operação está identificada? |
| Entrega | O destinatário consegue associar a linha à exploração? |
A tabela serve para organizar a conferência interna. Para a lista dos elementos previstos no registo nacional, consulte os campos obrigatórios. Acrescente à sua folha de correspondência as perguntas que surgem ao rever a primeira intervenção. Resolva cada uma com a pessoa que produziu a informação e guarde a decisão de organização junto do modelo utilizado.
Como tratar o histórico na preparação do arquivo
A nota específica da DGAV sobre a transição refere os registos relativos a utilizações anteriores a 1 de janeiro de 2027 e a sua transferência após essa data.
Prepare o histórico com uma relação por campanha, suporte e localização. Distinga os documentos originais dos ficheiros usados para trabalhar numa conversão. Preserve a referência de origem de cada lote de documentos. Se recebe uma instrução individual sobre um arquivo histórico, associe a comunicação ao respetivo período e registe quem acompanhou a execução.
Para organizar os trabalhos, utilize tarefas com objetos concretos: localizar a pasta de determinada campanha, identificar o formato do ficheiro, recuperar partes de um prestador e rever uma referência de parcela. Evite misturar estas tarefas com uma data única para a totalidade do arquivo. Na visão geral do caderno agrícola, encontra a organização do prazo de conservação e das pessoas responsáveis.
Entregar documentos de um serviço contratado
O artigo 4.º do regulamento europeu determina que o profissional que atua por contrato dê ao contratante acesso ou cópia dos registos sem demora nem restrições indevidas.
Mantenha o registo dos tratamentos num só lugar. Comece grátis.
Combine o destinatário da entrega ao preparar o serviço. Identifique a exploração, o contacto e a referência que deve acompanhar o parte. Se envia ficheiros de vários clientes no mesmo dia, reveja a correspondência entre destinatário e documento. Deixe no seu índice uma indicação de que a documentação foi entregue e de onde está o exemplar conservado.
Para o agricultor que recebe o serviço, prepare uma conferência centrada no trabalho encomendado: parcela, data, identificação do produto, dose e pessoa que executou a intervenção. Se algo divergir, descreva o elemento concreto e mantenha a resposta do prestador junto do parte. Consulte também a preparação de inspeções para organizar os documentos de terceiros.
Escolher entre CC+ e outro programa
A adesão ao Caderno de Campo Digital, CC+, é voluntária. O IFAP apresenta a ferramenta para consulta e registo de atividades, com acesso através do Portal Único da Agricultura ou do próprio portal IFAP.
Defina o seu método de trabalho antes de escolher a interface: quem introduz operações, quem faz a revisão, que documentos entram de prestadores e quem entrega o histórico. Para uma sessão no serviço público, siga o guia de acesso ao CC+ pelo IFAP. Para uma folha de cálculo, comece pelo modelo correspondente ao tipo de tratamento.
Na comparação entre programas, peça uma amostra de saída referente a uma intervenção identificável. Compare os campos dessa amostra com os documentos da exploração. Verifique como se distinguem a data da aplicação e a data em que o colaborador trabalhou no ficheiro. Registe o procedimento combinado para corrigir uma anotação e para entregar o histórico ao titular.
Preparar uma transferência sem perder referências
Faça primeiro uma cópia de trabalho do conjunto que pretende organizar. Nomeie-a com o titular, o período e uma descrição clara da finalidade. Prepare um índice de entradas, com a localização dos originais e a identificação dos responsáveis. Resolva divergências de nomes de parcelas antes de consolidar os tratamentos.
A seguir, transfira uma intervenção completa e reveja-a com o aplicador. Leia o resultado como uma pessoa que desconhece a exploração: a referência do local é suficiente? A unidade da dose é explícita? O produto pode ser associado ao documento de aquisição? Use as respostas para melhorar o seu procedimento. Mantenha as observações organizacionais separadas das informações sobre o tratamento realizado.
Conclua o ensaio recuperando a intervenção pelo titular, pela campanha e pela parcela. Peça a um suplente que repita essa procura. Entregue-lhe apenas as instruções que pretende manter em utilização corrente. Acrescente ao índice aquilo que foi necessário explicar oralmente, para que a passagem de tarefas não dependa de uma única pessoa.
Uma lista de trabalho para o início de 2027
- Selecionar o modelo de superfícies ou de espaços fechados correspondente à operação.
- Confrontar os campos do programa com as informações recolhidas no terreno.
- Atribuir recolha, revisão e eventual transferência a pessoas identificadas.
- Combinar a receção de documentos de empresas de aplicação.
- Testar a consulta de um tratamento e a preparação de uma cópia.
- Conservar a relação entre cada registo e os seus antecedentes documentais.
O artigo 17.º nacional mantém a exigência de conservar os registos durante pelo menos três anos. Inclua a recuperação do histórico na preparação da mudança de ferramenta.
Reserve uma reunião de passagem de campanha para fechar dúvidas de identificação e atualizar os contactos. Leve o índice do arquivo, os nomes das parcelas e um tratamento completo. Termine com uma distribuição de tarefas por pessoa, local de entrega e documento esperado. Utilize o mesmo procedimento quando mudar de prestador, técnico ou responsável pelo arquivo.
Quando a autoridade pede o formato eletrónico
O artigo 4.º europeu prevê o caso de a autoridade pedir expressamente informação no formato prescrito antes de terminar o prazo aplicável à conversão. Nessa situação, o limite é o primeiro entre o termo desse prazo e dez dias úteis.
Para preparar uma resposta, identifique a data da comunicação, o período de utilizações e o formato explicitamente solicitado. Junte o pedido ao conjunto de registos correspondente. Atribua a preparação do ficheiro a uma pessoa e a conferência dos anexos a outra. Conserve o comprovativo da entrega com a referência do assunto.
O artigo 1.º admite informações nacionais adicionais às abrangidas pelo artigo 67.º, n.º 1. Na comparação de modelos, mantenha as colunas relativas ao estabelecimento de aquisição que constam do registo português. Descreva a correspondência dessas colunas na migração, para que uma importação de dados não perca a origem do produto.
Prepare também uma instrução de recuperação: localização das pastas, nome do titular, campanha, suporte, programa e pessoa suplente. Acrescente a identificação de ficheiros protegidos e o procedimento interno de acesso autorizado. Entregue essa instrução ao responsável pelo arquivo antes de encerrar uma ferramenta anterior.