Zonas tampão e deriva junto de água

Nas aplicações junto de cursos ou massas de água permanentes, as zonas não pulverizadas, na cultura ou na área adjacente, constam das precauções do rótulo do produto para proteção dos organismos aquáticos. O rótulo pode ainda fixar zonas de proteção entre a área tratada e outras culturas.

No SIFITO, a lista de cada finalidade traz o campo «Cond. e Restrições Específicas», com as restrições específicas do produto para a finalidade, e a técnica e o equipamento entre os dados da aplicação. A situação particular é qualquer situação que especifique ou restrinja o uso autorizado, por exemplo «uva de mesa» ou «uva para vinificação» na videira. A classificação e as precauções aparecem em códigos: palavra-sinal e frases H, P, EUH, SP e Rh. Para procurar a utilização, confirme cultura, situação particular, ambiente, inimigo e identificação comercial, e não aproveite uma distância de uma linha de outro ambiente ou de outra finalidade só porque o nome do produto é o mesmo.

O aplicador garante a calibração e a verificação técnica regulares do equipamento em utilização. Os bicos antideriva são preferíveis e usam-se sempre que o rótulo o indica, em especial junto de cursos de água ou áreas residenciais. Antes de encurtar uma faixa por usar um bico antideriva, confirme no rótulo e na finalidade se essa redução é possível; o nome comercial do bico não basta.

A deriva é a deslocação indesejada de gotículas ou vapores para áreas não tratadas. Entre os fatores estão vento, altura da barra, qualidade da pulverização, pressão, velocidade de deslocação, cultura, temperatura, humidade e manutenção. Uma faixa marcada no mapa não dispensa conferir estas condições no momento da aplicação.

O arrastamento da calda para áreas não visadas pode contaminar massas de água e afetar a saúde de pessoas estranhas ao tratamento, além de reduzir a eficácia, porque a calda não atinge o alvo. Para o reduzir, não trate contra o vento, prefira as primeiras horas da manhã ou o final do dia e não aplique com humidade do ar baixa e temperatura superior a 30 ºC.

Nas culturas arbóreas ou arbustivas com turbina, feche o setor da metade sem cultura nas linhas de bordadura e nas cabeceiras. Antes de começar, mostre ao operador os comandos de fecho dos setores e o limite da cultura.

Quando possível, plante uma bordadura vegetal dentro da parcela, mais alta que a cultura, como corta-vento para reduzir a deriva para terrenos adjacentes. Ao plantá-la, mantenha a zona não pulverizada indicada para a finalidade.

Antes de acionar o pulverizador, tape poços e furos próximos da área a tratar. Ajuste a barra para evitar oscilações e organize as passagens sem sobreposição. No equipamento manual, percorra linhas retas para não voltar a pulverizar a superfície já coberta.

Use a pressão adequada ao tipo de bico: 2 a 3 bar nos de leque, 2 a 20 bar nos cónicos e 0,5 a 1,5 bar nos de espelho.

Preparação da calda, excedentes e limpeza perto da água

Respeite as precauções biológicas, toxicológicas e ambientais do produto, incluindo as medidas de redução do risco. A lei manda dar preferência a equipamentos, dispositivos e técnicas de aplicação que minimizem o arrastamento da calda, e a produtos de menor perigosidade toxicológica, ecotoxicológica e ambiental. Determine antes de tratar um local, junto da área de aplicação, para preparar a calda e limpar o equipamento.

O local de preparação da calda tem tomada de água, fica a pelo menos 10 metros de cursos de água, poços, valas e nascentes e, de preferência, está sob cobertura e sem paredes laterais. Permite instalar uma bacia de retenção que não seja suscetível de inundação e facilite a limpeza de derrames e a recolha de efluentes, para evitar a contaminação do solo e das águas subterrâneas ou superficiais. Os efluentes recolhem-se num tanque coletor estanque, num depósito ou num aterro com material biologicamente ativo, ou ainda num recipiente próprio, e seguem para um sistema de tratamento. Os efluentes de derrames e outros resíduos podem também seguir para um sistema de tratamento de efluentes licenciado para a gestão e valorização de resíduos perigosos. Sem um local assim, use um com coberto vegetal, concebido para reter e degradar os efluentes e resíduos. Ao percorrer a exploração, identifique separadamente o ponto de abastecimento, o local de preparação, a área de aplicação e o local de limpeza, e marque no desenho a distância de cada um aos cursos de água e às captações.

No ponto de tomada de água instale um dispositivo de segurança que impeça o retorno da água do depósito do pulverizador ao circuito de alimentação, e evite o transbordo da calda no enchimento.

Os excedentes de calda aplicam-se, depois de diluídos em água, sobre coberto vegetal não tratado de áreas não visadas pelo tratamento e afastadas de poços, cursos e outras fontes de água. Se isso não for possível, eliminam-se sem diluição no local de preparação com bacia de retenção.

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Lave o equipamento por fora e por dentro junto à área tratada, sobre uma superfície com coberto vegetal não destinado ao consumo humano ou animal e com o mínimo de água possível. Se não puder lavar junto à área tratada, use um local com as condições do local de preparação.

Meteorologia antes e durante o tratamento

As previsões diárias da API IPMA são agregadas por local. O identificador do local, as coordenadas e a data prevista acompanham os parâmetros meteorológicos. tMin e tMax são a temperatura mínima e a máxima diárias. Não são a temperatura junto ao pulverizador na hora em que começa o tratamento. Ao passar os dados à equipa, diga de que serviço vêm, e confirme que a imagem enviada mostra o dia planeado e a localidade escolhida; distinga a data de atualização da data a que a previsão se refere.

As horas de previsão usam a referência UTC. No continente e na Madeira, a hora legal coincide com UTC no inverno e é UTC+1 no verão; nos Açores, corresponde a UTC-1 no inverno e UTC no verão. Registe o fuso ao comparar a previsão com a hora local da aplicação.

Na previsão diária, predWindDir é o rumo predominante do vento e classWindSpeed a classe da intensidade do vento; idWeatherType é o código relativo ao tipo de tempo. Nenhum destes é uma medição no momento: se recebeu só um algarismo de classe, consulte a legenda antes de o apresentar como velocidade em km/h.

Os avisos meteorológicos são um serviço próprio da API IPMA, com avisos até 3 dias. Um aviso regional ajuda a planear, mas não substitui a leitura do vento no campo; anote que informação consultou e que decisão depende ainda da observação local.

As observações de estações têm atualização horária e identificam a hora observada e a estação. O vento é medido a 10 metros de altura; a temperatura e a humidade média horária, a 1,5 metros. A precipitação corresponde ao acumulado da hora. Ao comparar a estação com a parcela, anote o local e a hora de cada observação. O valor -99,0 é a indicação de dado ausente nesse serviço. Se aparecer num campo exportado, assinale a falta em vez de o ler como temperatura ou velocidade reais.

Verifique as condições antes de preparar a calda e interrompa a aplicação se deixarem de ser favoráveis. Aplique logo após a preparação, respeitando as instruções dos produtos. Ao avisar que parou, diga se adiou antes do enchimento ou interrompeu a pulverização já iniciada, se a calda foi preparada e que área ficou realmente tratada, para o responsável decidir como continuar.

A previsão traz a probabilidade da precipitação (probPrecipita) e a classe da intensidade da precipitação (classPrecInt) em campos separados. A previsão por local abrange até cinco dias; a previsão agregada por dia usa os identificadores 0, 1 e 2 para hoje, amanhã e depois de amanhã. Para planear uma paragem por chuva, leia a probabilidade e a classe de intensidade em separado, escolha o dia da intervenção e guarde a localidade da previsão usada.

Abelhas e avisos a vizinhos

Os apicultores com apiários a menos de 1500 m das culturas podem pedir informação prévia aos responsáveis pelas aplicações. Devem dar conhecimento escrito do pedido aos serviços regionais. Nas condições previstas, a comunicação da aplicação de produtos perigosos para abelhas ou outros polinizadores deve ser feita com até 48 horas de antecedência.

A comunicação identifica o produto e as precauções de utilização constantes do rótulo. Antes de tratar junto de apiários, verifique se existe pedido de informação prévia e tenha à mão a designação comercial e as instruções legíveis para redigir o aviso.

O pedido de informação prévia aos apicultores é feito sem prejuízo da emergência fitossanitária devidamente comprovada. O rótulo pode ainda fixar zonas de proteção para polinizadores ou outros insetos e entre a área tratada e outras culturas.

Os produtores florestais ou as suas organizações devem comunicar a aplicação dos produtos com estas condicionantes aos serviços regionais, ao ICNF e às federações de produtores apícolas. A comunicação é obrigatória com 48 horas de antecedência, mesmo sem pedido prévio.

Se necessário ou a pedido, os vizinhos são avisados da iminência do tratamento. As precauções do rótulo protegem também as abelhas e outros polinizadores, os artrópodes úteis e as plantas não visadas.

Na área a tratar não podem existir pessoas estranhas ao tratamento nem animais. Antes de passar na extrema, confirme a presença de visitantes e animais.

Para a passagem junto de uma captação, anote o produto, a finalidade, o tipo de bico e a largura da zona não pulverizada, marque o limite no croqui e indique que setor da barra ou da turbina fica fechado. Combine esse percurso antes do enchimento.

Próximo passo

Leia as precauções do rótulo e as restrições do produto no SIFITO. O volume de calda a preparar sai da calculadora de calda, e o tratamento executado vai para o registo de tratamentos.